Teogonia de Hesíodo, 211-233, os filhos de Nix traduzidos em hexâmetro dactílico

Nix por sua vez gerou Moros hediondo e também Quer escura,
Tânatos, e gerou Hipnos, gerou dos Oniros a tribo:
Já por segundo inda Momos assim como Oizús dolorida
Sem ter deitado com alguém os gerou deusa Nix erebosa,
E às Hesperídes, que guardam além do glorioso Oceano
Áureas e belas maçãs, como as árvores frutiferantes.
Moiras e Queres pariu, punidoras sem dó nem piedade:
Cloto e Laquesis e Atropos, que então para todos mortais
Logo que nascem lhes dão a possuir tanto o bem como o mal,
E que dos homens bem como dos deuses desvios perseguem:
Nem vez alguma repousam as deusas de sanha terrível
Té que elas dêem seu maldoso castigo pra aquele que erra.
Gerou assim também Nêmesis, ruína aos mortais perecíveis,
Nix destrutora: e nisso gerou Apaté e Filotes,
Geras funesto também, e gerou Éris duranimosa.
Éris hedionda gerou por sua vez dolorido então Ponos,
Letes e Limos também, assim como as Algeas chorosas,
Inda as Hisminas e as Macas e os Fonos e as Androctasias
Como as Neikéas, Pseudéas e os Logos e as Anfilogias
E Disnomia e Até, habitando estas uma com a outra,
E Horco, que muito de fato pros sobreterrâneos humanos
Leva ruína no caso de alguém perjurar por vontade.

Nὺξ δ᾽ ἔτεκεν στυγερόν τε Μόρον καὶ Κῆρα μέλαιναν
καὶ Θάνατον, τέκε δ᾽ Ὕπνον, ἔτικτε δὲ φῦλον Ὀνείρων:
δεύτερον αὖ Μῶμον καὶ Ὀιζὺν ἀλγινόεσσαν
οὔ τινι κοιμηθεῖσα θεὰ τέκε Νὺξ ἐρεβεννή,
Ἑσπερίδας θ᾽, ᾗς μῆλα πέρην κλυτοῦ Ὠκεανοῖο
χρύσεα καλὰ μέλουσι φέροντά τε δένδρεα καρπόν.
καὶ Μοίρας καὶ Κῆρας ἐγείνατο νηλεοποίνους,
Κλωθώ τε Λάχεσίν τε καὶ Ἄτροπον, αἵτε βροτοῖσι
γεινομένοισι διδοῦσιν ἔχειν ἀγαθόν τε κακόν τε,
αἵτ᾽ ἀνδρῶν τε θεῶν τε παραιβασίας ἐφέπουσιν:
οὐδέ ποτε λήγουσι θεαὶ δεινοῖο χόλοιο,
πρίν γ᾽ ἀπὸ τῷ δώωσι κακὴν ὄπιν, ὅς τις ἁμάρτῃ.
τίκτε δὲ καὶ Νέμεσιν, πῆμα θνητοῖσι βροτοῖσι,
Νὺξ ὀλοή: μετὰ τὴν δ᾽ Ἀπάτην τέκε καὶ Φιλότητα
Γῆράς τ᾽ οὐλόμενον, καὶ Ἔριν τέκε καρτερόθυμον.
αὐτὰρ Ἔρις στυγερὴ τέκε μὲν Πόνον ἀλγινόεντα
Λήθην τε Λιμόν τε καὶ Ἄλγεα δακρυόεντα
Ὑσμίνας τε Μάχας τε Φόνους τ᾽ Ἀνδροκτασίας τε
Νείκεά τε ψευδέας τε Λόγους Ἀμφιλλογίας τε
Δυσνομίην τ᾽ Ἄτην τε, συνήθεας ἀλλήλῃσιν,
Ὅρκον θ᾽, ὃς δὴ πλεῖστον ἐπιχθονίους ἀνθρώπους
πημαίνει, ὅτε κέν τις ἑκὼν ἐπίορκον ὀμόσσῃ.

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Teogonia de Hesíodo, 154-210, castração de Urano e nascimento de Afrodite traduzidos em hexâmetro dactílico

Pois eis que quantas provindas de Gaia e de Urano nasceram,
As mais temíveis das crias, por seu genitor são odiadas
Desde o princípio: e assim que algum deles já fosse nascendo,
Todos então ocultava, e à luz não deixava saírem,
Na cavidade de Gaia: aprazia-se em maligna obra
Então Urano. Por dentro gemia assim Gaia monstruosa
Abarrotada, e urdiu ardilosa e maligna arte.
Rápida fez a matéria adamântea do aço grisalho,
Forjou um grande podão e indicou para as crias amadas.
Disse em coragem, sofrente no seu coração amoroso:
“Ó minhas crias e do pai imprudente, se logo quiserdes
Obedecer, vingaremos o ultraje maligno do pai
Vosso: pois ele primeiro tramou indigníssimas obras”.
Assim falou: eles todos reteve o temor, nenhum deles
Pronunciou-se. E ousou o grande Crono de astúcia curvada
Com suas palavras de volta abordar sua mãe cuidadosa:
“Mãe, isso eu mesmo terei prometido e assim cumprirei
Este trabalho , que já não me importo com o tal pai nefando
Nosso: pois ele primeiro tramou indigníssimas obras”.
Assim falou: nas entranhas exulta então Gaia monstruosa .
Tendo-o escondido em tocaia assentou-o, nas mãos colocou-lhe
Foice dentada, e assim lhe propôs todo o dolo ardiloso.
Levando a noite então foi grande Urano, e em torno de Gaia
Já desejoso de amor ele sobrepairou e estendeu-se
Todo: e assim da tocaia sua cria alcançou-o com a mão
Sestra, e então com a destra pegou sua foice monstruosa
Longa e dentada, e o pênis e planos de seu pai amado
Ceifou com ímpeto, atrás o lançando pra ser carregado
Longe – mas nada despropositado escapou de sua mão.
Pois quantas gotas dali respingaram vermelhas de sangue
Todas as recebeu Gaia: e então com o giro do ano
Pariu as fortes Erínias, também os grandiosos Gigantes,
Resplandecentes em armas, nas mãos longas lanças possuindo,
E ainda as Ninfas chamadas Melíades na terra infinita.
Assim o pênis já tendo cortado com aço adamânteo,
Do continente tão logo atirou-o no mar onduloso,
E assim por tempo levou-o o pélago, e branca ao entorno
A espuma se ejaculava da carne imortal – e uma virgem
Nela criou-se. Primeiro ela então da Citera divina
Se aproximou: e dali foi à Chipre cercada de fluxos .
De lá saiu veneranda belíssima deusa, e em volta
Relva crescia sob os pés tão esbeltos: e assim Afrodite
Deusa nascida de espumas e bem coroada Citérea
Deuses e homens chamaram-na, já que em espumas afrosas
Criou-se; no entanto Citérea por ter alcançado Citera,
E Ciprogênea uma vez que nascida na Chipre ondulosa;
Já filopênea porque foi do pênis que veio pra luz.
Eros a acompanhou logo como Hímero belo seguiu-a
Quando nascida, então indo juntar-se à linhagem dos deuses.
Esta é a honra que desde o princípio possui, recebendo
Como quinhão entre os homens bem como entre os deuses eternos
Tanto as conversas das moças bem como sorrisos e enganos,
Doce prazer e também a afeição e o amor e a doçura.
Mas quanto ao pai estes outros chamou de Titãs por alcunha,
Crias que então afrontou o grande Urano, do próprio geradas:
Diz que esticadas tateando-o estúrdias fizeram a grande
Obra, que dele a vingança ao porvir pelas costas viria.

ὅσσοι γὰρ Γαίης τε καὶ Οὐρανοῦ ἐξεγένοντο,
δεινότατοι παίδων, σφετέρῳ δ᾽ ἤχθοντο τοκῆι
ἐξ ἀρχῆς: καὶ τῶν μὲν ὅπως τις πρῶτα γένοιτο,
πάντας ἀποκρύπτασκε, καὶ ἐς φάος οὐκ ἀνίεσκε,
Γαίης ἐν κευθμῶνι, κακῷ δ᾽ ἐπετέρπετο ἔργῳ
Οὐρανός. ἣ δ᾽ ἐντὸς στοναχίζετο Γαῖα πελώρη
στεινομένη: δολίην δὲ κακήν τ᾽ ἐφράσσατο τέχνην.
αἶψα δὲ ποιήσασα γένος πολιοῦ ἀδάμαντος
τεῦξε μέγα δρέπανον καὶ ἐπέφραδε παισὶ φίλοισιν:
εἶπε δὲ θαρσύνουσα, φίλον τετιημένη ἦτορ:
παῖδες ἐμοὶ καὶ πατρὸς ἀτασθάλου, αἴ κ᾽ ἐθέλητε
165πείθεσθαι, πατρός κε κακὴν τισαίμεθα λώβην
ὑμετέρου: πρότερος γὰρ ἀεικέα μήσατο ἔργα.
ὣς φάτο: τοὺς δ᾽ ἄρα πάντας ἕλεν δέος, οὐδέ τις αὐτῶν
φθέγξατο. θαρσήσας δὲ μέγας Κρόνος ἀγκυλομήτης
ἂψ αὖτις μύθοισι προσηύδα μητέρα κεδνήν:
μῆτερ, ἐγώ κεν τοῦτό γ᾽ ὑποσχόμενος τελέσαιμι
ἔργον, ἐπεὶ πατρός γε δυσωνύμου οὐκ ἀλεγίζω
ἡμετέρου: πρότερος γὰρ ἀεικέα μήσατο ἔργα.
ὣς φάτο: γήθησεν δὲ μέγα φρεσὶ Γαῖα πελώρη:
εἷσε δέ μιν κρύψασα λόχῳ: ἐνέθηκε δὲ χερσὶν
ἅρπην καρχαρόδοντα: δόλον δ᾽ ὑπεθήκατο πάντα.
ἦλθε δὲ νύκτ᾽ ἐπάγων μέγας Οὐρανός, ἀμφὶ δὲ Γαίῃ
ἱμείρων φιλότητος ἐπέσχετο καί ῥ᾽ ἐτανύσθη
πάντη: ὃ δ᾽ ἐκ λοχέοιο πάις ὠρέξατο χειρὶ
σκαιῇ, δεξιτερῇ δὲ πελώριον ἔλλαβεν ἅρπην
μακρὴν καρχαρόδοντα, φίλου δ᾽ ἀπὸ μήδεα πατρὸς
ἐσσυμένως ἤμησε, πάλιν δ᾽ ἔρριψε φέρεσθαι
ἐξοπίσω: τὰ μὲν οὔ τι ἐτώσια ἔκφυγε χειρός:
ὅσσαι γὰρ ῥαθάμιγγες ἀπέσσυθεν αἱματόεσσαι,
πάσας δέξατο Γαῖα: περιπλομένων δ᾽ ἐνιαυτῶν
γείνατ᾽ Ἐρινῦς τε κρατερὰς μεγάλους τε Γίγαντας,
τεύχεσι λαμπομένους, δολίχ᾽ ἔγχεα χερσὶν ἔχοντας,
Νύμφας θ᾽ ἃς Μελίας καλέουσ᾽ ἐπ᾽ ἀπείρονα γαῖαν.
μήδεα δ᾽ ὡς τὸ πρῶτον ἀποτμήξας ἀδάμαντι
κάββαλ᾽ ἀπ᾽ ἠπείροιο πολυκλύστῳ ἐνὶ πόντῳ,
ὣς φέρετ᾽ ἂμ πέλαγος πουλὺν χρόνον, ἀμφὶ δὲ λευκὸς
ἀφρὸς ἀπ᾽ ἀθανάτου χροὸς ὤρνυτο: τῷ δ᾽ ἔνι κούρη
ἐθρέφθη: πρῶτον δὲ Κυθήροισιν ζαθέοισιν
ἔπλητ᾽, ἔνθεν ἔπειτα περίρρυτον ἵκετο Κύπρον.
ἐκ δ᾽ ἔβη αἰδοίη καλὴ θεός, ἀμφὶ δὲ ποίη
ποσσὶν ὕπο ῥαδινοῖσιν ἀέξετο: τὴν δ᾽ Ἀφροδίτην
ἀφρογενέα τε θεὰν καὶ ἐυστέφανον Κυθέρειαν
κικλῄσκουσι θεοί τε καὶ ἀνέρες, οὕνεκ᾽ ἐν ἀφρῷ
θρέφθη: ἀτὰρ Κυθέρειαν, ὅτι προσέκυρσε Κυθήροις:
Κυπρογενέα δ᾽, ὅτι γέντο πολυκλύστῳ ἐνὶ Κύπρῳ:
ἠδὲ φιλομμηδέα, ὅτι μηδέων ἐξεφαάνθη.
τῇ δ᾽ Ἔρος ὡμάρτησε καὶ Ἵμερος ἕσπετο καλὸς
γεινομένῃ τὰ πρῶτα θεῶν τ᾽ ἐς φῦλον ἰούσῃ.
ταύτην δ᾽ ἐξ ἀρχῆς τιμὴν ἔχει ἠδὲ λέλογχε
μοῖραν ἐν ἀνθρώποισι καὶ ἀθανάτοισι θεοῖσι,
παρθενίους τ᾽ ὀάρους μειδήματά τ᾽ ἐξαπάτας τε
τέρψιν τε γλυκερὴν φιλότητά τε μειλιχίην τε.
τοὺς δὲ πατὴρ Τιτῆνας ἐπίκλησιν καλέεσκε
παῖδας νεικείων μέγας Οὐρανός, οὓς τέκεν αὐτός:
φάσκε δὲ τιταίνοντας ἀτασθαλίῃ μέγα ῥέξαι
ἔργον, τοῖο δ᾽ ἔπειτα τίσιν μετόπισθεν ἔσεσθαι.

Do que se diz ser o maes satánico dos poemas: I SUNG OF CHAOS AND ETERNAL NIGHT, de Pablo Novurra

Eu quis voar nas asas da manhã.
Do mar e além do céu, além das cores,
além das parcas e da fuga e dos amores,
para o horizonte dos princípios, lá no monte,
aquele monte além do mar e da manhã.
Se olhei direto ao sol e em meu afã
perdi meu rumo de olhos marejados,
ainda assim desejo, almejo em dias contados
voar pro monte que margeia o Aqueronte –
choroso monte – sobre as asas de Satã.

Do que se diz o mais saudosista dos poemas: Soneto, de Pablo Novurra

Sou marinheiro das águas passadas:
no mar do tempo me encontro afogado
junto às lembranças de um tempo sonhado,
mastros fantasmas de velas içadas.
Ouço o murmúrio das velhas baladas;
ensandecido, procuro-as a nado,
e em meio a estrondos de um mar revoltado
outra vez morro ao chorar em arfadas.
É o coração que na noite se envolve,
cuja saudade jamais se dissolve
e nem se aquieta ao regressar a aurora.
E nessas tristes manhãs de relento
as ondas surgem num longo lamento
como o rumor de um leviatã que chora.

Do que se diz ser o maes corvinal dos poemas: The Raven, ou O Corvo, de Edgar Allan Poe

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore—
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
“’Tis some visitor,” I muttered, “tapping at my chamber door—
Only this and nothing more.”

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December;
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow;—vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow—sorrow for the lost Lenore—
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore—
Nameless here for evermore.

And the silken, sad, uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me—filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating
“’Tis some visitor entreating entrance at my chamber door—
Some late visitor entreating entrance at my chamber door;—
This it is and nothing more.”

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
“Sir,” said I, “or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you”—here I opened wide the door;—
Darkness there and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, “Lenore?”
This I whispered, and an echo murmured back the word, “Lenore!”—
Merely this and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
“Surely,” said I, “surely that is something at my window lattice;
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore—
Let my heart be still a moment and this mystery explore;—
’Tis the wind and nothing more!”

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately Raven of the saintly days of yore;
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door—
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door—
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
“Though thy crest be shorn and shaven, thou,” I said, “art sure no craven,
Ghastly grim and ancient Raven wandering from the Nightly shore—
Tell me what thy lordly name is on the Night’s Plutonian shore!”
Quoth the Raven “Nevermore.”

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning—little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door—
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as “Nevermore.”

But the Raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing farther then he uttered—not a feather then he fluttered—
Till I scarcely more than muttered “Other friends have flown before—
On the morrow he will leave me, as my Hopes have flown before.”
Then the bird said “Nevermore.”

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
“Doubtless,” said I, “what it utters is its only stock and store
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore—
Till the dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of ‘Never—nevermore’.”

But the Raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore—
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking “Nevermore.”

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom’s core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion’s velvet lining that the lamp-light gloated o’er,
But whose velvet-violet lining with the lamp-light gloating o’er,
She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor.
“Wretch,” I cried, “thy God hath lent thee—by these angels he hath sent thee
Respite—respite and nepenthe from thy memories of Lenore;
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!”
Quoth the Raven “Nevermore.”

“Prophet!” said I, “thing of evil!—prophet still, if bird or devil!—
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted—
On this home by Horror haunted—tell me truly, I implore—
Is there—is there balm in Gilead?—tell me—tell me, I implore!”
Quoth the Raven “Nevermore.”

“Prophet!” said I, “thing of evil!—prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us—by that God we both adore—
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore—
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore.”
Quoth the Raven “Nevermore.”

“Be that word our sign of parting, bird or fiend!” I shrieked, upstarting—
“Get thee back into the tempest and the Night’s Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken!—quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!”
Quoth the Raven “Nevermore.”

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon’s that is dreaming,
And the lamp-light o’er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted—nevermore!

*

Era noite alta e sombria, fraco e farto eu refletia
Sobre muitos e curiosos esquecidos manuais.
Cabeceando, adormecido, escuto um súbito ruído
Como algum gentil batido, um batido em meus umbrais.
“É visita”, murmurei, “que está batendo em meus umbrais:
É só isso e nada mais”.

Ah, distintamente lembro, foi no gélido dezembro,
Cada flama já morrendo criava sombras fantasmais.
Desejava o amanhecer – tentara em vão nos livros ter
Um amparo e não sofrer, sofrer com a perda de Lenais –
A radiante e rara moça que anjos chamam de Lenais –
Nome aqui já não tem mais.

E o sedoso, triste, incerto rubro véu silvando perto
Me abalava com fantásticos terrores sem iguais;
Já meu peito reprimindo fui tão logo repetindo:
“É visita me pedindo entrada aqui nos meus umbrais –
Vem tardia, me pedindo entrada aqui nos meus umbrais –
É só isso e nada mais”.

Forte a alma num instante, e eu então não hesitante,
“Senhor”, disse, “ou madame, penso se me perdoais;
Estava quase adormecido e tão gentil foi o ruído,
Foi tão débil o batido que batia em meus umbrais,
Que mal pude vos ouvir…” – então abri os meus umbrais –
Só o escuro e nada mais.

Fundo as trevas espreitando, lá fiquei desconfiando,
Dúbio em sonhos que mortal nenhum ousou sonhar jamais;
O silêncio era infinito, e no sossego incompreendido
Só um vocábulo foi dito, um sussurro assim: “Lenais?”
Isso eu disse, e algum eco murmurou assim: “Lenais!” –
Isso apenas, nada mais.

Ao meu quarto regressando, toda a alma em mim queimando,
Novamente eu ouço tapas ressoarem inda mais.
“Certo”, eu disse, “essa mazela é qualquer coisa na janela;
Resta ver o que tem nela, no mistério dos sinais –
Que meu coração se aquiete, que eu explore estes sinais –
É só o vento e nada mais!”

Tendo aberto já a vidraça, turbulento me esvoaça
E entra ali um nobre corvo de eras santas e ancestrais;
Cumprimentos não prestou, nem um minuto ali ficou:
Com ar de lorde ou lady voou até pousar nos meus umbrais –
Sobre um busto, no de Palas, logo acima dos umbrais –
Lá pousou e nada mais.

A ave de ébano deteve meu pesar num riso leve
Com o decoro grave e austero de seus ares tão formais.
“Sem penacho volumoso, mesmo assim não és medroso,
Corvo ancião e pavoroso vindo lá do escuro cais –
Diz qual é teu nobre nome às trevas do plutôneo cais!”
Disse o corvo: “Nunca mais”.

Admirei que a ave rara discursasse assim tão clara,
Salvo a pouca relevância das palavras, bem banais;
Mas que seja mencionado: não há humano agraciado
Que antes tenha contemplado alguma ave em seus umbrais –
Ave ou besta no esculpido busto sobre seus umbrais –
Com tal nome, Nuncamais.

Mas o corvo, solitário, não variou o vocabulário,
Como se sua própria alma derramasse em termos tais.
Nada mais me declarou, nem uma pena farfalhou;
Mas minha alma murmurou: “Perdi amigos tempo atrás –
De manhã esvoaçará como a esperança um tempo atrás”.
E a ave disse: “Nunca mais”.

Pasmo com a mudez quebrada na resposta assim falada,
“Certo”, eu disse, “o que profere são só falas usuais
Que pegou de um mestre aflito, por desastre desmedido
E imparável perseguido até um refrão marcado em ais –
‘Té as endechas da esperança, melancólicas com ais
De ‘nunca – nunca mais’”.

A ave ainda assim deteve meu pesar num riso leve:
Ajustei minha poltrona frente ao corvo, busto e umbrais.
No veludo mergulhando então fui logo associando
Fantasias e pensando na ave de eras ancestrais –
Por que a torva e ominosa e horrenda ave de ancestrais
Crocitava “Nunca mais”.

Isso eu quis adivinhar, sem uma sílaba expressar
À ave de olhos que queimavam meus alentos mais fulcrais;
Estive assim ensimesmado com o crânio reclinado
No recosto aveludado sob a luz dos castiçais,
No veludo violeta sob a luz dos castiçais –
Leito dela ah, nunca mais!

O ar me pareceu mais denso, num perfume como incenso
Solto pelos serafins com suas passadas musicais.
“Infeliz,” gritei, “Deus deu-te – pelos anjos concedeu-te
Trégua – trégua e o nepente pras memórias de Lenais;
Bebe, bebe o bom nepente e esquece a perda de Lenais!”
Disse o corvo: “Nunca mais”.

“Ó profeta, ser malevo – és profeta, se ave ou demo! –
Pelo Tentador trazido ou pelos rudes temporais;
Desolado mas ousado neste deserto encantado –
Lar de horrores, assombrado – imploro: franco, fala mais –
Há bálsamo em Gileade? – diz, imploro, fala mais!”
Disse o corvo: “Nunca mais”.

“Ó profeta, ser malevo – és profeta, se ave ou demo!
Pelo Deus que nós louvamos – pelos arcos celestiais –
Assegura essa alma insossa caso lá no Éden possa
Abraçar a santa moça que anjos chamam de Lenais –
A radiante e rara moça que anjos chamam de Lenais”.
Disse o corvo: “Nunca mais”.

“Tal resposta nos desuna, ave ou diabo!”, grito, em suma –
“Vai de volta à tempestade e às trevas do plutôneo cais!
Que nenhuma pluma ateste tais mentiras que disseste!
Vai, que a solidão me reste! – sai do busto nos umbrais!
Tira o bico da minha alma e tua figura dos umbrais!”
Disse o corvo: “Nunca mais”.

E esse corvo, nunca alado, está sentado, lá sentado,
No alvo busto, no de Palas, logo sobre meus umbrais;
Com seus olhos figurando os de um demônio assim sonhando
Sob a luz que, tremulando, lança sombras sepulcrais;
E minha alma dessas sombras que flutuam sepulcrais
Há de erguer-se – nunca mais!

Arquíloco, 105

Γλαῦχ᾽, ὅρα· βαθὺς γὰρ ἤδη κύμασιν ταράσσεται
πόντος, ἀμφὶ δ᾽ ἄκρα Γυρέων ὀρθὸν ἵσταται νέφος,
σῆμα χειμῶνος• κιχάνει δ᾽ ἐξ ἀελπτίης φόβος.

Glauco, olha! Pelas ondas já é perturbado o fundo
Mar, e em torno às altas Giras ergue-se uma nuvem reta–
É sinal de tempestade. Do imprevisto avança o medo.